Perdida na Biblioteca

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Vocês já devem ter percebido que as editoras em sua grande maioria não falam dos livros antigos, ou de catálogo, em suas redes sociais. 

POR QUE? 

Primeiro porque a equipe de marketing das editoras vem sendo reduzida ano após ano devido a crise no mercado editorial. Às vezes o departamento de marketing da editora é composto por uma única pessoa! Como, seria humanamente possível, que ela divulgasse todos os lançamentos e novidades da editora e ainda trabalhasse os livros de catálogo? 
Não dá, né? 

Segundo porque é exatamente isso. As editoras lançam vários livros por mês. E eles precisam divulgar esses livros, para que o investimento deles voltem para a editora de forma a continuar a movimentar o mercado editorial. 
Os livros antigos, teoricamente, já estão pagos. Mesmo os fracassos editoriais. Pois a editora sempre vai ter um livro que vende mais que o outro e acaba "pagando" a conta do amiguinho também.  
Os lançamentos, ainda são uma aposta da editora e precisam se pagar...

Por isso é tão importante para a editora a pré-venda. 


Desde o ínicio do ano grandes livrarias vem sofrendo com os efeitos da queda no mercado editorial. A Fnac encerrou suas atividades; A Livraria Cultura vem fechando sistematicamente suas lojas, seguindo um plano de reestruturação e, recentemente, entrou com um pedido de recuperação judicial. A Saraiva, maior rede de livrarias do país, também vem passando por dificuldades.

Recentemente as editoras se reuniram para debater possíveis soluções para ajudar a Saraiva a não entrar com um pedido de recuperação judicial, mas a SNEL (Sindicato dos editores de livros) já descartou um acordo e jogou a primeira pá de terra na cova que a Saraiva cavou. Na proposta rejeitada, a Saraiva solicitava o perdão de 40% da dívida e ainda parcelar o restante em 10 anos!!!
#absurdo
#rindo

Mas por que as editoras tentaram salvar a Saraiva e não tentaram salvar a Cultura e a Fnac?

Porque a Saraiva é detentora de 30% do mercado editorial. Só por isso.
Eu, particularmente, acho o serviço prestado pela Saraiva péssimo. Eles vendem livro que não tem no estoque; diz que o livro vai chegar num dia e nunca chega; praticam venda casada em eventos literários, obrigando os leitores a pagarem um preço absurdo no livro lançamento para poder ter direito a autografar com o autor (detalhe! O livro tem que ser comprado na Saraiva!! Tem que mostrar nota fiscal e tudo!)
É uma verdadeira aula de desrespeito ao cliente na minha opinião.
Então, o primeiro pensamento que me veem a cabeça é: "Bem feito! Tomara que feche mesmo!"


Nesta semana a comunidade literária foi surpreendida pelo email de uma empresa de caixas literárias promovendo sua nova mistery box - contendo livros inéditos - de uma forma um tanto peculiar. 

Ao invés de promover os benefícios do novo produto e agregar valor a marca, eles utilizaram uma abordagem comparativa entre os livros da caixa "tradicional" em relação a nova caixa. Porém, ao fazerem isso, eles foram extremamente infelizes na escolha das palavras e o que era para ser o lançamento de um produto, transformou-se em uma crise para a marca que passou a ser atacada por leitores nas redes sociais que defendem a liberdade de lerem o que quiserem sem discriminação entre "baixa e alta literatura". 

Vamos deixar uma coisa clara?
Pra início de conversa, esse negócio de baixa e alta literatura não deveria existir, e é apenas mais uma prova do quanto a nossa sociedade esta doente ao segregar até a leitura. Como se já não bastasse a segregação entre ricos e pobres; direita e esquerda; agora temos que escolher um lado na hora de ler um livro!! Me poupem...

Eu amo livros. 
Amo mesmo. 
E como amante de livros, eu sempre fiquei chocada ao ver pessoas lerem no metrô dobrando a lombada dos livros (Seu idiota! Vai estragar a lombada!!!); ou vendo pessoas dobrarem a página do livro para marcarem onde pararam na leitura (Pelo amor de Deus! Eu devo ter um marcador sobrando na minha bolsa. Espera! Use esse cupom de desconto, que não serve pra nada, pra marcar a página. Não faça orelha no livro!!!); e o mais aterrorizante de todos os meus medos... marcando quotes nos livros com caneta ou marca texto. #chocada
Isso doia profundamente na minha alma. 

Sejamos todos (Im)perfeitos

Na newsletter do canal eu perguntei aos leitores se eles já haviam se auto sabotado hoje, e expliquei a minha tese (nossa, me senti muito importante agora. Quase uma Doutora no assunto) de que o ser humano vive se auto sabotando porque pensamos demais. Passamos tanto tempo pesando os prós e contras, que perdemos oportunidades e depois ficamos chorando pitangas por aí. 

Porém, depois eu li uma matéria na revista "Vida Simples" e me dei conta que esse fenômeno pode ter um nome. E que eu tenho um exemplo disso dentro de casa. Uma cobaia perfeita para minha tese (olha eu dando uma de Doutora de novo!) 

O nome é perfeccionismo. 
Vou contar uma história pra vocês. Meu marido sempre quis juntar uma galera pra debater sobre Carnaval (ele é tão louco por isso, quanto eu sou por livros. Cada um com seus problemas...), e depois de muito procrastinar, ele finalmente tomou coragem e chamou os amigos pra fazer uma live no Youtube. Isso, é claro, depois de me perguntar umas trocentas vezes se deveria fazer isso ou não. E de eu responder trocentas vezes que sim! 

Com o tempo, ele acabou virando referência no assunto Carnaval. A reunião com os amigos pra tomar cerveja aqui em casa, virou um programa. O canal cresceu e outros programas foram criados, mas o "carro chefe" sempre foi a "reunião com os amigos pra bater papo sobre Carnaval".
E com o crescimento vieram os gastos com equipamento...melhorias na qualidade...edição... blá blá blá. 

Os rumos do Booktube 

Você já abriu seu feed do Youtube com os canais que segue e se deparou com 10 vídeos iguais?

Você já percebeu que basta uma pessoa fazer um vídeo falando sobre o assunto A, e logo em seguida surgem outros canais falando sobre o mesmo assunto nas semanas seguintes?

Você já percebeu que em sua grande maioria os canais literários seguem a mesma fórmula no conteúdo postado?
Pois é...

Recentemente (tá...não tão recentemente assim) eu disse que na minha opinião os blogs literários irão acabar devido a uma mudança no perfil do público leitor, que não tem mais tempo e paciência para acessar vários blogs para consumir o conteúdo deles.
O Youtube, por ser uma plataforma única, funciona como um cardápio. Você não precisa ficar pulando de uma url pra outra como acontece com os blogs.

Momento dica da titia: Use o feedly e crie uma revista com todos os seus blogs em um único lugar. Não é jabá! É utilidade pública mesmo!!! 

Mas a comunidade booktube não são flores. E ela também esta precisando se reinventar.

Vou falar do meu canal, pois é o que tenho acesso as informações/dados, ok?!
Os vídeos de resenha são os que tem menor visualização. Enquanto uma caixinha dos correios, ou um unboxing tem em média 150 views ou mais, uma resenha dificilmente passa de 50 views.
Estou reclamando? Não.
Estou trazendo dados que comprovam que o público do Youtube não assiste resenha. Ele tende a consumir outro tipo de conteúdo nos canais literários. Se você conhece algum canal que as resenhas sejam mais assistidas do que os outros tipos de vídeos, por favor me apresente a este canal!
É sério! Quero estuda-lo!


Na semana passada, eu acabei com os sonhos de muitas pessoas ao falar a verdade sobre o relacionamento das editoras com os blogueiros/booktubers.
E uma pessoa (que eu entendo que seja um autor) comentou na postagem em questão, que infelizmente os autores independentes tem dificuldade de conseguir vender seus livros se não tiverem o aval ou o suporte de uma grande editora. 

Essa semana tivemos um episódio lamentável que só mostra como o blogueiro/booktuber brasileiro é carente e como ele se sujeita a qualquer coisa pra conseguir algo "de graça".
Um editora, após entrar em contato com os blogueiros e booktubers que passaram na seleção de parceria da mesma, divulgou que ainda tinha 3 vagas remanescente e que os participantes que tocassem o terror nas redes sociais (ou seja, fizessem divulgação da editora feito uns loucos de graça) poderiam ser selecionados para essas vagas.

Segundo o site Publishnews, especializado na cobertura do mercado editorial, o diretor financeiro da Cosac Naify - Dione Oliveira - afirma que os livros que não forem vendidos até a virada do ano podem ser destruídos.
Essa medida, recebida com espanto e revolta pelo público na última quinta feira (22/09), visa diminuir os prejuízos financeiros da editora, visto que os custos para armazenar  e distribuir os livros são muito altos.
Atualmente a Cosac Naify, paga 55 mil reais por mês para armazenar os mais de 400 mil títulos que ainda constam em seu estoque, em um depósito em Barueri (SP).

Na entrevista, Dione afirma que não poderia doar os livros pois os mesmo geraram um problema contábil a extinta editora.



“Tem um problema que muitas pessoas desconhecem. Doações geram um transtorno contábil na empresa. Se faço uma doação de um livro, tenho que reconhecer o custo disso. Se eu faço a doação de um volume considerável de livros, eu gero um resultado financeiro negativo absurdo, fora da curva” - Dione em entrevista a Publishnews

Em 2015 a Cosac Naify anunciou o fim das atividades, depois de 20 anos de existência (e prejuízos). Conhecida por produzir livros de arte e livros clássicos com um design gráfico diferenciado, seus livros eram pouco acessíveis a grande parte da população, devido aos preços elevados de produção que consequentemente se refletiam no preço para venda.

Entre os títulos da Cosac temos clássicos em edições de luxo, como Guerra e Paz; Anna Karienina; Contos completos de Tolstoi, entre outros.


Edições de luxo maravilhosas, porém com preços nada acessíveis

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