Perdido no Cinema: O Doador de Memórias


Há muito tempo atrás, eu li uma distopia que achei muitíssimo interessante, onde a sociedade tinha se organizado de forma a não permitir diferenças entre seus cidadãos. Uma tese louvável, visto que muitos dos problemas sociais que temos hoje vem justamente das diferenças de classes, credo e da cor da nossa pele.


Para acabar com essa segregação, o governo passou manipular certas substâncias nas pessoas de forma que elas passaram a ver to mundo todo em preto e branco. Afinal, se todos nós usamos a mesma roupa, não precisamos cobiçar a roupa alheia.
As pessoas também passaram a ter seus trabalhos determinados pelo governo de acordo com as aptidões deles ao longo da infância, já que eles são monitorados o tempo todo (no melhor estilo Big Brother) e até mesmo suas famílias eram formadas de acordo com suas personalidades, já que algumas mulheres eram escolhidas especificamente para serem as procriadoras.
Essas procriadoras passavam a vida inteira sendo muitooooo bem cuidadas e gerando filhos. Esses filhos eram cuidados pelo cuidadores (dãaaa) que depois enviavam a criança para a sua nova "unidade familiar". Ou seja, a sua mãe é sua mãe porque ela cuida de você, não porque ela gerou você. Na verdade, você não faz ideia de quem é a sua mãe biológica.

Olha gente! Descobri de onde surgiu o Coringa da série Gothan! 

Jonas é aparentemente um adolescente como outro qualquer desta comunidade, porém, ele às vezes acha que vê as coisas de forma diferente. Na verdade, ele não sabe muito bem como explicar isso...
No dia da designação dos cargos, ele recebe a responsabilidade de ser o Guardião das Memórias da comunidade.
Mas que raios é isso?!

Bem...ele logo descobrirá que o trabalho dele é essencial para o bem estar da comunidade e para a preservação do conhecimento, visto que ele se tornará o Recebedor de Memórias. 


Continuou sem entender? 
Bem, digamos que ele será a única pessoa a saber a verdade sobre tudo que aconteceu na Terra (seja bom ou muito...muito ruim) e a única pessoa a conhecer a dor, o sofrimento, a tristeza, mas também o amor, a saudade, e tantos outros sentimentos que apenas o Doador de Memórias tem e cuja função neste momento é passar para ele. 

Se a gente parar pra comparar essa distopia com outras, como Jogos Vorazes por exemplo, esse mundo até que é "tranquilo", mas a grande sacada (pelo menos pra mim) dessa história não esta no mundo construído, mas sim no por quê

Em Jogos Vorazes, ou em qualquer outra distopia que me lembre (se eu estiver enganada, me corrijam), os cenários são sempre formados após uma grande devastação devido a uma guerra, revolução ou uma epidemia mundial. Ai o lado vitorioso impõe seus termos e vira o governo autoritário típico das distopias. Certo? 

Neste caso, a comunidade, os anciões, ou seja, as pessoas mais velhas e, teoricamente, sábias ESCOLHERAM viver dessa forma. Eles perceberam que o mundo tava perdido, que a causa de todo o sofrimento era a desigualdade e resolveram acabar com isso para promover o bem estar social geral. 
Perceberam a diferença?! 

Esse livro foi adaptado em 2014, mas eu só assisti agora. #vergonha
O que mais achei interessante é que o filme começa em preto e branco, e conforme Jonas vai adquirindo o conhecimento, nós vamos tendo pinceladas de cor na imagem, como se nós fossemos adquirindo o conhecimento e a habilidade de ver as coisas como elas realmente são junto com Jonas. 


Posso dizer que o filme foi bem fiel ao livro. Uma das adaptações mais fiéis que eu vi nos últimos tempos no cinema, para ser bem exata, terminando no mesmo ponto do livro e lhe deixando intrigado pela continuação da história como aconteceu quando li o primeiro livro. Mas ai, veio se segundo livro...


Já adianto que se você acha que encontrará as respostas ou a continuação de O doador de memórias no segundo livro - A Escolhida - sinto-lhe informar que esta imensamente enganado. O segundo livro tem uma história completamente diferente. Eu sei. Eu li, fiquei frustada e com ainda mais perguntas do que quando terminei o primeiro livro. 
Dizem que o terceiro livro é a mesma coisa e só no quarto livro desta série é que a autora junta tudo, faz uma salada mista e explica alguma coisa pra você, então, confesso: desisti de ler os livros. 
E como o filme não foi um grande sucesso de bilheteria, não há nenhuma especulação por uma continuação. 


O filme conta com a participação de Taylor Swift no papel da antiga Recebedora, fazendo algumas aparições rápidas apenas para humanizar o Doador e talvez alavancar as bilheterias (parece que não deu muito certo....). 

Os três primeiros livros foram ganhadores da Medalha de Newbery em 1994, concedido anualmente pela Association for Library Service to Children ("Associação de Serviços Bibliotecários para Crianças) da American Library Association (ALA) ("Associação de Bibliotecas Americanas") para o autor da mais distinguível contribuição à literatura americana para crianças.

E vocês? O que acharam dessa história? Assistiram o filme? Leram os livros? Se você já leu o último livro, me conta em privado o final? Pleaseeeeee!!! 
=) 

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